quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ser, Pra quê, Por quê?

Ser, Pra quê, Por quê?
Yuri Montezuma
Um consultório psiquiátrico, um divã, na cabeceira do divã uma cadeira, em um canto da sala existe uma estante com vários livros, na parede oposta existem pequenos quadros retratando a natureza, o ambiente é meio cinza, iluminado praticamente com um pequeno abajur. O piso é de madeira rústica e bem antiga. Em um dos cantos existe uma porta de entrada.
Ana, psicóloga, magra, cabelos presos por um elástico, usa uma camisa com mangas que cobre todo o braço, nariz empinado com certa superioridade, usa um pequeno óculos que vez ou outra precisa ajustar no rosto com a ponta do dedo médio. Calças retro tipo boca de sino e um sapato com solado de madeira que toda vez que anda faz um barulho esquisito no chão.

Paulo, ator, alto, com cabelo desgrenhado, brincos em ambas as orelhas, blusa amassada e com os botões abertos, barba grande, calças ao estilo próprio, sandálias de dedo, é muito agitado.

(Paulo, parado na porta observando o ambiente com um pequeno cigarro já ao fim em uma das mãos)

Ana – (Sentando na cadeira atrás do divã) Bom dia Paulo... Entre, sente-se...
Paulo – (Entrando e dando uma última tragada no cigarro) O dia não tem nada de bom... A arte é uma merda. A arte não... A arte ensinada é uma merda.
Ana – (Calma e passiva) Ali, atrás dos livros... Tem um cinzeiro. Pode pôr seu cigarro lá.
 Paulo – Você fuma? Não sabia... Algo novo. O estranho é que nunca senti cheiro de cigarro em você.
Ana – Não fumo...
Paulo – (Contando) E pra quê o cinzeiro?
Ana – Isso? É brinde que ganho da associação dos psicólogos do Brasil. Eles acham que todos nós somos fumantes e passivos a ter um câncer por excesso de cigarro.
Paulo – Ou por excesso de loucura.
Ana – A loucura é o que não preocupa. Você não quer sentar?
Paulo – (Que até aquele instante estava em pé) Sim claro...
Ana – Está melhor?
Paulo – Estou!
Ana – Como foi à semana?
Paulo – No geral foi bem... A questão é que sou artista... Ator.
Ana – Sei disso... E por sinal aquele espetáculo que você participa é um sucesso...
Paulo – (Cortando) Uma merda!
Ana – Eu gostei...
Paulo – (Novamente cortando) tenho pena de você... Que não entende... Que não sente... Não vive... Só tem a opção de gostar e não gostar. É frustrante. O teatro é mais.
Ana – Quer falar sobre isso?
Paulo – (Deitando no divã) Estudo artes ou era pra estudar. Já vivo com o preconceito de ser artista desde o berço. Lembro que no primeiro dia de aula fizeram uma pergunta para a turma: O que vocês querem aqui? Eu sabia o que queria. Tinha sentado do lado da porta, na última cadeira. As respostas começaram pelo lado das janelas... Na minha sala só o lado direito tinha janelas. Era infernal. O preconceito era grande mesmo. O curso já existia fazia uns quatro anos e ainda dependíamos de salas emprestadas para estudar. Todo dia era uma novela mexicana... Vamos para bloco tal... Agora vamos para outro bloco.
Ana – Isso parece deixar você irritado...
Paulo – (Cortando) Era um chute no saco! Éramos quarenta alunos... Uma sala com janelas apenas de um dos lados, um ventilador que mais fazia barulho do que aliviava o calor. Como não ficar irritado, como aguentar isso?
Ana – E a pergunta? O que vocês querem aqui?
Paulo – Sim, claro. Foi meio que engraçado... Eu meio que ria por dentro a cada resposta. Uma garota respondeu que estava ali para poder ir para TV, novelas... Essas coisas. Todos deram um sorrisinho de canto de rosto... Irônico. Não nego que também ri... Mas fiz algo por aquela garota que ninguém faria.
Ana – E o que foi?
Paulo – Tirei-a da universidade...
Ana – (Cortando) Por quê?
Paulo – Pense comigo doutora... Aquela criatura não queria aquilo... Ela queria ser atriz. O curso não daria isso pra ela. Só mostrei outras portas. A maioria dos atores de televisão fizeram outros cursos ou não fizeram curso nenhum. Apenas escola de teatro ou praticando por longo período de tempo. Se você quer ser ator certamente não precisa de universidade para tal feito. Agora se você quer ser professor de teatro você precisa do ser ator. Praticar o teatro é essencial para quem precisa ou quer seguir sendo professor de teatro. A universidade não oferece isso... Pelo contrário... Ela oferece tudo, menos teatro. Quando chegou a minha vez de responder... Alguns me olharam como se estivesse esperando uma resposta prolongada ou algo bonito. Apaixonado. A maioria me conhecia e sabia o que eu fazia. Olhei algumas caras abobalhadas por alguns segundos e disse: Estou aqui pelo diploma!

Ana – A garota saiu mesmo da universidade? E qual foi à reação dos colegas com sua resposta.
Paulo – (Sentando no divã, pegando uma carteira de cigarros do bolso no peito, puxa um cigarro, guarda a carteira, procura um isqueiro pelos bolsos, tem dificuldade para encontrar, Ana tira um pequeno isqueiro de um de seus bolsos e entrega para Paulo) Posso fumar?
Ana – (recolhendo o isqueiro que Paulo devolve) Fique a vontade... É costume de meus pacientes querer fumar durante o intervalo de suas falas.
(Silêncio)
(Paulo fica por alguns instantes com o olhar no horizonte, vazio, Ana, levanta da cadeira e vai até a estante de livros)

Paulo – (Levantando e indo até a porta) A garota aguentou ainda um mês e depois foi embora pro Rio de Janeiro. Creio que esteja tentando entrar para TV. Já a cara dos meus colegas não tem preço. Ontem eu estava tomando umas cervejas com alguns amigos músicos... Ando sempre por várias áreas da arte. Gosto disso. Estávamos no auge da bebedeira quando um deles tocou no assunto. Dizia: O cara vai passar quatro anos estudando música... Vai aprender ler partitura, colocar as notas certinhas no papel. Mas, quando o aluno desse mesmo cara que vai ser professor disser que quer aprender a tocar violão ou qualquer outra coisa, esse cara vai dizer que não toca, mas que pode ajudar o garoto a ler partitura. Isso é ou não é uma merda?
Ana – Como assim?
Paulo – (Sentando na cadeira atrás do divã) Eu não quero ser professor, mas também não quero que um cara ensine teatro sem saber teatro. Entende?
Ana – (Sentando no divã) A arte não está sendo passada no curso?
Paulo – Arte não se aprende...  Ou você nasce com esse dom ou não nasce... O que se aprende é técnica... Isso se aprende. Você pode praticar muito e se conhecer... Conhecer seu corpo, atuar... Mas, arte não se ensina. O que podemos fazer é desenvolver o que já existe em você. Acredito que existe um artista dentro de cada um... Mas que precisa desenvolver. Nem todos vão para o palco, mas podem ir pra iluminação, para som, para a contra regra, figurino, porra... A questão é saber onde se encaixa. Mais uma coisa é certa... Na universidade todos tem que praticar teatro... Muito teatro... Se quiser ser professor de teatro... Por que caso contrario podem deixar um aluno doente ou com problemas sérios no corpo... Teatro é sério e não uma brincadeira de pulinhos... Porra! Entende.

Ana – Claro que entendo.
Paulo – (Interpretando uma cena sem se levantar da cadeira) Essas sombras que me perseguem em quadros desfocados... Noites secas. Aqui na escuridão do meu quarto, penso naquilo que iríamos realizar e agora propõe a morte a todos do nosso clã. Maldito dia aquele que beijei tua boca e te dei guarita. Se alguém tem que morrer nessa casa... Morreremos nós de sangue impuro. De esqueleto putrefato de alma podre.

Ana – O que foi isso?
Paulo – É uma cena do meu próximo espetáculo... Tinha que ensaiar e decide tentar aqui. Precisa de uns ajustes cênicos.
Ana – Entendo... Mas ganho por hora.
Paulo – É mesmo?
Ana – Sim.
Paulo – (Pegando o caderno de anotações de Ana que estava ao lado da cadeira) Ana, sempre quis ser psicóloga?
Ana – (Deitando no divã) Não. Queria ser atriz... Fico com inveja toda vez que vou assistir a um espetáculo e você em cena. Sempre sofri uma pressão para seguir a profissão da família.
Paulo – (Tirando os óculos do rosto de Ana e colocando em seu rosto) Profissão da família?
Ana – É... Sou de uma família de psicólogos. Meu avô era um psicólogo que conheceu o próprio Freud. Meus tios todos eram psicólogos, meu pai, minha mãe também.
Paulo – Essa é uma situação Freud.
Ana – Tinha dez anos quando assisti a uma peça infantil. Naquele instante decidi que queria ser atriz... Comecei a procurar escolas de teatro, conhecer grupos, atores, diretores.
Paulo – E por que não continuou?
Ana – No começo meus pais acharam que era coisa de criança deslumbrada... Que logo me voltaria para as coisas da família.
Paulo – Coisas da família?
Ana – As coisas da família é entender os outros e tentar encontrar soluções... A questão que ser artista não é encontrar soluções e sim problemas. Confesso que tenho uma queda por problemas! Aqueles que você ensaia, briga com o colega de cena para uma solução, faz e desfaz tudo só por que não se encaixou no contexto da história.
Paulo – (Anotando alguma coisa no caderno) E o que sua família fez pra que você se tornasse psicóloga?
Ana – O que todas as famílias fazem quando querem que os filhos façam. Vivam os sonhos dos pais e enterre os seus. Pressão psicológica. Tentei várias vezes suportar a pressão, mas teve uma hora que não consegui e acabei cedendo.
Paulo – E aceitou assim as pressões da família?
Ana – No começo achei que era o melhor pra mim... Terminei os estudos e comecei a trabalhar. Logo já tinha uma lista intensa de pacientes. Ganho um dinheiro razoável e não tenho que reclamar da profissão, mas não sou feliz com isso.
Paulo – E hoje, depois de tudo... Já falou com sua família sobre sua vida?
Ana – Sim... Conversei com meus pais sobre tudo e sabe o que falaram?
Paulo – Se você não contar não vou saber nunca.
Ana – Que seria melhor eu ter seguido a carreira de atriz... Que eu seria mais feliz.
Paulo – E o que fez?
Ana – Fiquei um ano em terapia intensiva. Ainda vou ao meu psicólogo pra tentar entender.
Paulo – Qual a lição que você tira disso tudo?
Ana – Não sei...
Paulo – Que devemos viver nosso sonho e não o dos outros. Inclusive o dos pais. Se seguir o sonho de outros e não os seus, vai parar no psicólogo como agora.
Ana – Agora começo a entender doutor... Doutor?
Paulo – Sim!
Ana – Você não é psicólogo! A psicóloga aqui sou eu!
Paulo – Isso é verdade... A questão é que no meu próximo espetáculo vou fazer um psicólogo... Como nunca tinha interpretando nada parecido... Eu tinha que fazer um laboratório. E nada melhor do que usar nossos encontros para tal trabalho. Já sei que vou levar os lados bons e ruins da sua profissão e isso é algo bom não acha?
Ana – Claro que não... Você não tem preparo para tal prática e isso é uma fraude.
Paulo – Sou uma fraude, mas disse tudo sobre suas frustrações e anseios.
Ana – Eu não tinha a intenção... Eu...
Paulo – Entenda doutora, todos nós somos um pouco psicólogo, um pouco treinador de futebol, um pouco médico, um pouco professor.
Ana – E artista?
Paulo – Artista?
Ana – Sim... Artista!
Paulo – Só se conseguir enfrentar os pais, os amigos, a sociedade e a arte.
Ana – A arte?
Paulo – Sim... A arte.
Ana – Pensei que a arte fosse um bem... Um fim para respirarmos.
Paulo – A arte é o começo do sufoco. Se você consegue respirar arte então nada consegue abalar seus sonhos.
Ana – E conseguimos conquistar a arte?
Paulo – Isso que é engraçado... A arte nos conquista.
Ana – Então nossos sonhos podem ser abalados.
Paulo – Aquilo que se conquista fácil não tem valor!
Ana – Acho que estou conseguindo entender o que quer dizer...
Paulo – (Cortando) Se não entendesse também não tinha importância... Entender às vezes não é o que importa.
Ana – Isso é confuso...
Paulo – (Cortando) Doutora quanto você ganha por consulta?
Ana – (Sentando no divã) Duzentos por hora...
Paulo – (Cortando) A minha hora as vezes é setenta ou nada... Depende da ocasião.
Ana - Por falar nisso sua hora acabou...
Paulo – (Cortando) Posso voltar na semana que vem?
Ana – Claro é só marcar um horário com a Rita.
Paulo – Quem é Rita?
Ana – (Entregando um cartão) Minha secretária.
Paulo – Vou ligar então. Obrigado!
Ana – Tenha uma boa apresentação...
Paulo – (Cortando) Não se fala assim.
Ana – E como se fala?
Paulo – Merda
Ana – Então... Merda pra você.
Paulo – Obrigado... (Coloca a mão no bolso e tira um ingresso) Toma... Vai assistir.
Ana – Claro que vou!
Paulo – Tchau doutora (Sai).
Ana – Tchau.
 (Ana vai até a mesa e coloca o ingresso na bolsa, abre uma gaveta e pega um maço de cigarros cheira e joga no lixo, abre outra gaveta e pega uma garrafa de vinho, coloca um pouco em um copo, guarda a garrafa, fecha as gavetas, vai até a estante de livros com a taça, toma um gole, escolhe um livro, folhei algumas páginas)
Ana – (Colocando a taça de vinho em algum canto da estante) Ser ou não ser... Essa é a questão.
(Fecha o livro e pega a taça de vinho tomando de um só gole)
Ana – (Olhando para a plateia com a taça vazia na mão) Filho da puta! Não pagou a consulta.
(A luz vai diminuindo de intensidade até o palco ficar em escuro total)

FIM

A Peça

A Peça
Yuri Montezuma

Pequeno teatro antigo ou moderno. Tanto faz. Quem decidi como será vai ser você. Uma mesa, duas cadeiras, um lustre, fotos antigas nas paredes, telefone no canto direito do palco.
Camila é uma senhora de certa idade, viúva. Mãe de Claudinho. Usa um avental. Típica dona de casa antiga. Pra ela o tempo não passou.
Claudio de Almeida da Silva Junior – O Claudinho, filho de Camila. Ele é ator. Despojado, atraente e jovem que já passa dos vinte e cinco, mas que ainda não chegou aos trinta.
Paula, atriz que já passa dos vinte, mas que ainda não chegou aos vinte e cinco. Vive seus personagens intensamente. Chegando a necessitar de psicanálise para voltar a ter uma vida normal.
As três amigas de Paula, que vão ao teatro pela primeira vez.
 O cenário é o mesmo para a casa de Claudinho. É utilizado também para as ações posteriores e pode fazer parte do espetáculo UVAS VERDEJANTES, que Claudinho e Paula fizeram para romântico.

As luzes vão se acendendo. O palco está vazio. Toca o telefone.

Camila – (entrando e atendendo ao telefone) Alo. Não Paula... Não ele não está.  Pra falar a verdade ele viajou e não deve voltar tão cedo. Pode deixar que eu avisarei. De nada. Pra você também. (Gritando) Claudio de Almeida da Silva Junior...
Claudinho – (Entrando) Claudinho mãe! E o que foi?
Camila – Essa é centésima vez que essa menina liga atrás de você! Ela tá grávida?
Claudinho – Não... Ela é uma louca do elenco que cisma em casar comigo! Só por que nós fizemos par romântico no espetáculo.
Camila – UVAS VERDEJANTES... Espetáculo de nome escroto... E por que você não fala que não quer? (Sai)
Claudinho – (Explicando para a mãe como se estivesse falando da sala para acozinha) É melhor eu contar como tudo começou... (Começa a contar a história, a luz vai mudando o ambiente para a encenação da cena final de UVAS VERDEJANTES, Paul entra pelo lado oposto que Camila e Claudinho tinham entrado).

UVAS VERDEJANTES (Uma pequena cena)

Paula – (Entrando ofegante, coração na boca) Consegui... Matei André, e finalmente conseguiremos ser felizes.
Claudinho – Agora me sinto livre de tudo. Das acusações, perseguições, de todo o mal...
Paula – Beije-me José. (Os dois se beijam fervorosamente)

(O ambiente do espetáculo, muda para as três amigas que estão sentadas na plateia misturadas com o publico).
Amiga I – Eles se beijaram...
Amiga II – E ela disse que guardaria seu beijo para o Antônio
Amiga III – O beijo no teatro não é de verdade... Deixem de besteira e assistam.

(Alguém grita da plateia)

- Bravo... Excelente. Maravilho.

(Os dois agradecem, aplaudem a plateia, recebem flores, elogios, silêncio no ambiente, agora tudo se voltou para um ambiente pós-apresentação).

Claudinho – Paula, temos que ensaiar melhor aquela cena do sexo... Você nunca consegue ir até o fim... Sempre temos que resolver com a luz.
Paula – Desculpa Claudinho... É que sou prometida... E só meu prometido deve enxergar aquilo que será dele.
Claudinho – Prometida? Pensei que isso era coisa do passado, dos antigos imperadores que queriam reunir e agregar reinos.
Paula – Pois, saiba que ainda existem famílias assim. Que guardam suas filhas para um noivo escolhido por eles e que nós só vemos no casamento.
Claudinho – Isso é um absurdo... Você tem que mudar isso
Paula – (Confiante) – Eu mudei... Falei com o meu prometido. Seu nome é Antônio.
 Claudinho – Menos mal!  Falou com ele.
Paula – Por telefone.
(Silêncio)
Claudinho – Por telefone?
Paula – Sim.
Claudinho – você tem quantos anos... Vai casar tão jovem?
Paula – Na minha família é assim.
Claudinho – Você tem que viver sua vida... Conhecer o mundo, novas pessoas, experiências... Sei lá... Viver.
Paula – Tem razão! Tenho que viver e conhecer novas pessoas, outros ambientes, me aventurar.
Claudinho – Isso! Decidir o que é melhor para você, para seu futuro, poder escolher com quem quer ficar.
Paula – Pode me dar um segundo... (sai de cena)
Claudinho – O que aconteceu?
Paula – Liguei pro Antônio, meu noivo.
Claudinho – Sei... Posso saber o que rolou?
Paula – Você tinha razão... Terminei tudo com o Antônio...
Claudinho – Que bom...
Paula – E vou me casar com você.
(O ambiente, muda para as amigas que estão na plateia)
Amiga I – Ela fez o quê?
Amiga II – Falou que terminou tudo com o Antônio...
Amiga III – Parem de especulações. Ela deve ter errado o texto.
Amiga I – Acho que errou foi à vergonha na cara.
Amiga II – Coitado do Antônio.
Amiga III – Coitada de mim que tenho que aguentar vocês.
Amiga II – Não exagera...
Amiga III – Estou tentando acompanhar a história...
Amiga I – (Cortando) E por que não acompanha?
Amiga III – Se vocês calarem a boca!
Amiga II – Não está aqui quem falou.

(A cena muda para a casa de Claudinho)

Camila – (Entrando) Então você foi o pivô da separação da menina Claudinho?!
Claudinho – Claro que não mãe... Só achei errado, uma menina tão jovem casar cedo.
Camila – E não conseguiu ficar de boca fechada...
Claudinho – É só que não acaba por aí. Lembra que eu sofri um acidente? Pois é...

(recomeça a história, agora a mãe de Claudinho faz a médica).

Amiga I – Acho que ela deve ter dado mesmo um pé no Antônio. O Que você acha?
Amiga II – Eu não acho... Tenho é certeza. Esse chifre foi cênico.
Amiga III – Parem de fazer mal para nossa amiga... Todas nós sabemos que ela é cega de amor pelo Antônio. Ou vocês duas prestam atenção no espetáculo ou vou embora.
Amiga I – É que não acostumamos assistir essas coisas...
Amiga II – (Cortando) Geralmente é escondido.
Amiga III – O que é escondido?
Amiga I – Esse cifre!
Amiga II – Digno de premiação.
Amiga III – E vocês duas digna de vergonha.

Agora Claudinho está deitado na que serve de maca. Está respirando a base de oxigênio. Camila veste um Jaleco e agora é uma médica.

Enfermeira – Olá seu Claudinho. A sua médica particular quer vê-lo.
Claudinho – Mas eu não tenho médica particular.
Enfermeira – Seus familiares devem ter contratado! Vou pedir para que ela entre e os deixarei a sós.
Paula – (Entra com um jaleco médico e de máscara) Oi Claudinho!
Claudinho – Paula... Você não é médica.
Paula – Também sou...
Claudinho – Como assim?
Paula – Interpretei uma no espetáculo SÁBADO AS SETE.
Claudinho – Meu deus!
Paula – Como você faz eu me apaixonar... Comprei todo o enxoval do nosso casamento, fiz e mandei os convites, recebi e tive que devolver todos os presentes. Essas coisas não se fazem com uma mulher.
Claudinho – Mas não fiz nada...
Paula – Não se faça de desentendido.
Claudinho – Você precisa de ajuda.
Paula – O que esses botões aqui fazem?
Claudinho – Me mantém respirando!
Paula – (Apertando os botões) Isso é pra você sentir tudo que senti... Quando você sumiu também fiquei sem ar.
Claudinho – Socorro... Socorro.
Paula – Eu te amo Claudinho...
Claudinho – E por que está tentando me matar?
Paula – Por amor!
Claudinho – Socorro...

(O ambiente volta para as amiga).

Amiga I – Sempre soube que ela era desequilibrada... Agora se vestir de médica. Francamente!
Amiga II – Isso é de família...
Amiga III – Francamente vocês duas! Não sabem se comportar em um teatro.
Amiga II – Me comportar eu sei, mas isso não é mais teatro...
Amiga I – É o que então?
Amiga II – Loucura.
(Ambiente na casa de Claudinho)

 Claudinho – Entende agora por que estou correndo dessa mulher?
Camila – Se não fosse o seu pai chegar...
Claudinho – (Cortando) Hoje eu era apenas história.
Camila – Filho... Essa sua peça ficou muito pouco tempo em cartaz. Com um publico pífio.
Claudinho – Direitos autorais.
Camila – Os direitos autorais também proibiram o publico de ir ao teatro?
Claudinho – As questões de qualidade cênica não irei discutir. Mas, você que concordar que sempre tinha alguém na plateia gritando elogios.
Camila – Foi um ator contratado pela produção para animar vocês.
Claudinho – Como assim?
Camila – Um amigo meu... Indiquei para produção.
Claudinho – E as críticas?
Camila – Filho! Fiz jornalismo e tenho contatos dentro dos maiores jornais. Foi só uma questão de alguns telefonemas.
Claudinho – Triste...
Camila – (Cortando) E essa moça ainda está atrás de você?
Claudinho – Na verdade ela sumiu do mapa por um bom tempo... Só que eu estava no escritório...
Amiga I – Direitos autorais... Sei.
Amiga II – Aquela peça foi feita só pra ganhar dinheiro...
Amiga III – E era péssima...
Amiga I – Finalmente você fala e não nos bate.
Amiga II – É... E por que saiu chorando daquela peça?... Eu lembro!
Amiga III – Chorando de ódio. Agora prestem atenção que é a parte do escritório.
Amiga I – Que escritório?
Amiga III – Ele falou de um escritório.
Amiga II – Deixou de fazer teatro?
Amiga III – Eu é que sei?
Amiga I – Perguntar não ofende.

O ambiente é de um típico escritório. Só tem papeis.

Claudinho – (Sentando) Essa merda de cálculo nunca bate...
Paula – Oi Claudinho!
Claudinho – (Gritando igual uma mulher ao se deparar com uma barata) ai, ai, ai, ai... O que você quer aqui?
Paula – Calma... Só estou aqui para te pedir desculpas por ter te perseguido.
Claudinho – (Desconfiado) Tudo bem... São águas passadas.
Paula – Deixou o teatro?
Claudinho – Não... Mas também faço produção.
Paula – Que bom... Sempre ligado na arte!
Claudinho – E você?
Paula – Estou parada, mas com uma proposta para um novo espetáculo. Foi muito difícil...
Claudinho – (Cortando) Difícil o quê?
Paula – E também foi muito difícil superar a internação...
Claudinho – Que internação?
Paula – Fui internada com depressão pós-parto.
Claudinho – Você nunca teve filho!
Paula – Tive sim! Com você em UVAS VERDEJANTES.
Claudinho – Meu deus! De novo não...
Paula – (Cortando) Hoje estou curada... E como o pessoal vai lá pra casa para comemorar os cinco anos da peça... Vim aqui para te convidar e provar que não tem nenhum ressentimento.
Claudinho – Se é isso... Tudo bem. Marcado!
Paula – As oito.
Claudinho – Combinado.
(As amigas)
Amiga I – Isso vai dar merda!
Amiga II – Sabe que acho que ela se curou.
Amiga III – Ela é louca de pedra... Sorte teve foi o Antônio de não casar com a Paula.
Amiga I – (Lembrando – se) Nunca teve Antônio nenhum...
Amiga III – (Surpreendida) Como assim?
Amiga I – Ontem recebi um livro com história dos espetáculos dos últimos dez anos aqui na cidade. E adivinha... Antônio era um dos personagens de umas das peças que Paula participou.
Amiga II – Louca de pedra.
Claudinho – Entendeu mamãe?
Camila – Sim...

(Mostrando que tudo era um ensaio teatral, as luzem acendem geral).

Claudinho – E aí, como foi o ensaio?
Amiga I – Claudio eu gostei...
Amiga II – Acho que vai dar certo.
Amiga III – Vai ser um sucesso.
Camila – Precisamos de mais ensaio.
Claudinho – Vamos ensaiar mais então...
Amiga I – O que me preocupa é se Paula descobre...
Claudinho – A questão é que ela está em porto velho e além do mais eu troquei o nome dos personagens.
Camila – Tem tudo para dar certo.
Amiga I – Vai marcar minha volta ao teatro.
Claudinho – Fico feliz com tudo gente... Vamos jantar?
Amiga III – Vamos... Estou com muita fome! Esse ensaio foi duro.
Amiga II – Alguém paga o meu que depois devolvo.
Claudinho – Deixa comigo.
Camila – Vamos naquele barzinho da esquina? Lá tem sempre a melhor cerveja e o melhor preço.
Amiga I – Tudo bem.
Vão saindo quando de repente
Paula – (Aparecendo no meio da plateia do teatro e grávida) Oi Claudinho.
A luz vai diminuindo até escuridão total.


FIM

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Que Se Foi.

Agora a pouco estava escrevendo, escrevendo, escrevendo... E bateu um choque de realidade. A parte mais cruel da realidade! Pensei: Relaxa e respira... Não é isso... É apenas um restinho do sono que veio na madrugada, um pouco do sonho estranho que vivi... Respingo de solidão... Volte nego... Volte para os braços do deus do sono. Volte e assim voltando, volte a sonhar. Olhei para um lado e para outro e o caminho tinha se apagado. Uma lágrima caiu. Não posso. Não devo. Não tenho o direito. Parei de escrever! Se foi a minha inspiração. Parei de escrever. Deixo acolá guardado no livrinho, caderninho, papel de jornal, meus rascunhos me olhando e esperando uma continuação. Mas na verdade sou eu que espera que me continuem, que me rabisquem, escrevam, que me leiam. Que me guardem como impresso único.

Yuri Montezuma

quinta-feira, 28 de março de 2013

O Te(rra)tro

O Te (rra) troO teatro está se perdendo... (explicando melhor - se perder é uma forma de se encontrar. Antes que leiam de outra forma) Como dizia o mestre do Teatro de Arte de Moscou no ano 1938 em uma de suas cartas... "O riso não deve ser provocado... Isso é um erro", cada frase boba que ele dizia a platéia caía em gargalhadas... Ele não queria forçar o riso, mas estava envolto na esfera de sua personagem. Em cada frase, cada pequeno texto, andar, todos ficavam atentos e o teatro parecia respirar com o ator. Mas o que vi no primeiro instante... A reação de um ator ao sentir que uma piada deu certo, que a platéia caiu em risos. Seu olhar deu-se conta que não estava só e gostou do riso, do regozijo, sentiu prazer e decidiu sair da esfera que envolvia sua personagem e por fim decidiu tomar conta de sua carcaça. Carcaça que havia emprestado conscientemente para ser usada para outro contar uma história. Sua história... A história da personagem. Ao tomar tal atitude quis aparecer como homem comum, orgulhoso, sem humildade, medíocre (Mediano, Ok?) e tenta fazer todos os olhos rirem, mas já é tarde. As bocas vão se crispando e os narizes forçando uma lateral.Ele se esforça e usa sua técnica, mas nada parece fazer efeito. De um instante para o outro ele cansa e se entrega. Se anula e a platéia volta a soltar gargalhadas violentas. Risos e mais risos.Ele por fim tirando a maquilagem pergunta-se. O que aconteceu?E um amigo batendo-lhe o ombro - Hoje você atuou!Foi o que vi na Semana do Teatro. Desde do seminário, as apresentações e as relações interpessoais. O crescimento técnico de alguns espetáculos e a queda técnica de outros. Uma apresentação não diz a real condição técnica dos espetáculos, mas mostra que faltou um pouquinho de açúcar. É isso... Tinha sal de mais e pouco açúcar... Sal para achar erros e defeitos... e pouco açúcar para enxergar os ganhos de qualidade, de técnica, de vida do espetáculo (s). Engatinhando nesse mundo de gerenciar, orientar ou dirigir pessoas em cena, aprendi muito sobre o que posso fazer em cena e o que realmente não quero fazer. De alguma forma todos contribuíram para o meu aprendizado. Seja no palco, seja nos corredores, seja pelos telefonemas.E como disse no começo ... O Teatro está se perdendo... A forma, técnica, os valores antigos (meus) estão se perdendo. Isso nesse caso é bom. Significa renascimento.Meu muito obrigado. Yuri Montezuma

terça-feira, 12 de março de 2013

Contos da Madrugada - A mulher do Ônibus

Segunda de um dia qualquer...

Relato I

Acordo todos os dias religiosamente  4:30 da manhã para poder ir ao trabalho, pois pego dois ônibus e cada um demora mais que o outro. Tomo banho faltando quinze minutos para próxima hora. Sempre um banho rápido. Tomo o café que deixo preparado do dia anterior, normalmente ele já está morno, como bolacha na maioria das vezes já que deixar pão por muito tempo na cesta sem consumi-lo estraga. De passagem digo logo que sou esquecido e acabo esquecendo de comer pão antes que literalmente meu dinheiro vá para o lixo. Apesar de gostar muito de pão.
Estou próximo dos trinta, calvo, magro, moreno. Enquanto falo com vocês bebo uma cerveja que já não consigo identificar a marca ou se ainda é gelada ou se estou bebendo um caldo em garrafa. Mas deixando as formalidades e considerando que já somos quase amigos. Quero deixar uma coisa clara entre nós: Estou do seu lado agora. Precisamos trabalhar..
Vou até o portão que parece com uma grade de prisão, cambaleio mais alguns passos até chegar a um segundo portão que sai na rua. Rua que é de terra e que alguns vizinhos jogaram tijolos quebrados para amenizar a poeira no verão e a lama no inverno. Nesse dia ao sair de casa me deparei com uma senhora alta  e magra. Me assustei por que aquela hora só encontrava na escuridão alguns cachorros latindo e alguns gatos vagabundos que faziam o som da noite. A noite era deles e eu passava despercebido para não ser um intruso em uma festa particular, por que gato não mia de graça na madrugada, e me deparo com uma mulher parada como uma estátua.

Ela - Bom dia.

Em uma mistura de medo, tesão e curiosidade, respondi seco - Bom dia - Um arrepio me tomou conta das costas e desceu pelas pernas. Logo me passou pensamentos que não podia acreditar. Queria arrancar seu vestido branco, cabelos que desciam até a bunda, morder.

Ela - indo trabalhar?

Voltando a mim como um carro de corrida e um sorriso culpado -  sim .

Ela - Posso acompanhá-lo até o ponto de ônibus? Acordo muito cedo e aqui é muito perigoso para uma mulher.

Subimos uma rua de terra batida por uns cinco minutos. Suficiente para chegarmos ao ponto de ônibus... Ela me contava coisas sobre o local onde morávamos e de minha parte apenas observava aqueles olhos por entre a escuridão da madrugada fria e cinzenta. Aquele dia parecia mais escuro que o normal, os cachorros que normalmente estariam ladrando sem parar ao ouvir os passos dos pedestres que por lá passavam, dessa vez estavam calados tremendo de medo. Medo de quê?
Você vai pegar a condução? - Insisti querendo sair um pouco daquela conversa de apresentação. Não sou historiador e não tenho a menor vocação para tal coisa.

Sua pressa não leva você a lugar nenhum - respondeu a mulher com uma pedra de gelo nos olhos e isso me fez subir um frio na espinha, a pele mexer cada centímetro como se fosse descolar dos músculos e o mesmo ocorreu com os ossos querendo largar os órgãos. Finquei os pés no chão e continuamos andando.
Mil pensamentos povoavam minha cabeça "como uma mulher tão insegura e com medo a pouco tempo me coloca um medo infernal?"

Não coloquei medo em você ou coloquei? - Pareceu ler meus pensamentos e isso me deixou de garganta seca, voz embargada, mão frias, suadas.
Não, claro que você não me colocou medo. Por que deveria eu ter medo de você? Afinal sou homem e você uma mulher... Sou teoricamente bem mais forte que você, poderia controlar a situação facilmente.

Claro. - Saiu um sorriso no canto do rosto e isso me fez pensar em correr, mas...

O ônibus - Disse aliviado... Poderia sair daquela situação embaraçosa. Ficaria perto de outros como nós e isso poderia reverter o momento de "terror" passado pouco antes. Isso era só mais uma situação de um dia estranho. Eles me olhavam, nos olhos, no peito, no rosto e no sexo. Sonho, pesadelo, fiquei pálido como um fantasma. Nesse meu devaneio fui interrompido.

Não vai passar a roleta? - Me disse ela com naturalidade.

Claro que vou! - O cobrador olhou espantado

Como tudo parecia passar lentamente. Pareceu a cabeça de um embriagado cambaleando nas calçadas e nos becos, escorado no botiquin. Seguimos viagem. A estrada fazendo ondas, me jogava de um lado para o outro. Como se meu corpo já não me obedecesse... Como se tivesse vontade própria, eu estivesse ali?

Sentei na cadeira e tudo aconteceu como se eu estivesse entrando em um túnel. As luzes vindo cada vez mais rápido batendo contra meu peito, meu rosto, contra nós. Em pouco tempo estava em meu destino de todas as madrugadas. O despejo, o local das trocas, o lugar das massas. O Terminal Central. Levantei a bunda magra da cadeira e saí do ônibus como se fosse um zumbir. Sentei em um dos bancos e me dei conta que a mulher tinha sumido, então dei uma volta olhando todas as direções, mas não consegui avistar tal criatura. Foi uma pena por que estava de olho naqueles peitos, pernas, coxas e tudo que tinha de tesão naquele pedaço de carne. O dia deveria ser igual aos outros. Chato, de muito trabalho e novamente voltar para casa fedendo mais que cachorro molhado da chuva, mas de repente senti aquela respiração subir por minhas costas. Tenho certeza que não era humano... Parecia uma fumaça e de repente...

Oi - Ela disse quase encostando no meu ouvido.

Respirei fundo e o ar pareceu rasgar os pulmões, acabei engasgando com minha saliva, nunca senti sensação pior.

Oi - respondi em uma mistura de medo e tesão.

Ela como uma criança curiosa - Você vai pro outro lado da cidade, não é?

Sim... mas vou em direção a vila dos industriais. - Falei firme, absoluto dono de mim.

Também estou indo naquela direção - Disse com um olhar nebuloso.

Você aguarda um segundo enquanto vou buscar um café e alguma coisa para comer... Quer tomar alguma coisa ou comer? - Nunca fui bom com mulheres e isso explica a solidão.

Não - Sorriu.

Fui em direção aos vendedores ambulantes que ali ficavam vendendo de tudo um pouco. Esticando os braços por entre as grades que separavam o interior do exterior da plataforma de passageiros. Uns gritando, outros pegando e outros mostrando suas mercadorias. De minha parte tudo não passava de uma desculpa para me afastar daquela criatura, mas para não passar por mentiroso... Comprei café que era a bebida adequada para quem vai trabalhar tão cedo, alguns pães por que realmente estava faminto e para completar essa dieta saudável alguns pasteis fritos. Quando virei de volta para a plataforma meu ônibus estava a ponto de partir. Corri, quase me queimando com o café que estava fervendo. 
Dessa vez recebi o convite para ir ao seu lado, mas a carga que trazia não permitiu... Sentei ocupando dois bancos. Um com minha carcaça, outro com a comida, por um segundo esqueci aquela mulher...Comi, comi, comi, tudo me pareceu um grane manjá.
Quando acabei de comer estava parando em frente ao meu trabalho (Pausa)

Desculpe não disse como era meu trabalho. É um prédio muito pequeno de dois por dois, mas ao abrir a porta ele se torna em um enorme quarto quilométrico com várias camas e ao lado de cada cama existe uma cadeira que serve para nós sentarmos e assim realizar nossa tarefa.

Voltemos ao que interessa... Depois de comer como um príncipe, enfim estava pronto para começar o dia. O que me espantou foi a receptividade com que os meus companheiros receberam aquela mulher. Muito respeito e ao mesmo tempo espanto. Assinei alguns protocolos e quando olho para meu setor vejo que na minha cama existia duas cadeiras. Uma de um lado e uma outra muito bonita, negra como a escuridão do inferno.
Na hora quis saber do que se tratava, mas todos diziam que era melhor partir para meu setor que tudo iria se esclarecer. Parti temeroso e contando os passos, mas tudo passou rápido e quando percebi estava colocando minha bunda na cadeira. Respirei fundo e...

Oi - Novamente aquela voz do nada.

Olhando disse - Oi... Você!?

Era ela... Mas o que ela faz aqui? Me perguntei sem chão. Tornando a minha racionalidade perguntei. Quem realmente é você?

Não fique preocupado, estou aqui por outra pessoa e não você - Respondeu firme.

De quem então? - Perguntei curioso.

Estou por causa do leitor e que logo mais estará na cama. (Pausa)

Bem, esqueci de informar. Meu trabalho começa logo assim que você vai para cama leitor.

Voltemos para a conversa... Interessante - Respondi

Não digo meu nome para ninguém, mas você foi um moço comportado... Meu nome é MORTE.

Me passou um frio pelo corpo, mas então percebi que não era só eu e sim o ambiente inteiro... Soltei um sorriso amarelo, respirei fundo e disse - O meu nome é PESADELO e todas as noites venho aqui para destruir a noite dele. Quando ele(a) se for como será?

Sempre terá outro(a)... - Rimos

Você ainda vai querer me levar para cama? - Perguntou ela com um olhar maroto.

Olhei e novamente rimos e então disse - Prefiro não arriscar.

Uma nova gargalhada.

Podemos sair depois do expediente e comer, beber alguma coisa e quem sabe até comemorar mais uma vez o seu sucesso. - Falei confiante.

E para minha surpresa a resposta foi sim.

Então meu caro leito te esperamos na cama e por favor não vá se atrasar, pois hoje tem um encontro especial. É sua MORTE. E essa é o tipo de coisa que não se atrasa.

E como disse no começo de nossa história... Estou do seu lado sempre.





                                                                     Yuri Montezuma

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Teu Sorriso

Ao olha teu sorriso largo e bonito me enchi de alegria...


Essa noite fria se transformou em calor.

Em vida.

Ao olhar teu sorriso senti que está perto.

Quase ao lado.

Ao olhar teu sorriso largo e bonito.

Me senti grande nesse mundo.



Yuri Montezuma